Mateus Santana é músico gaitista, residente na histórica cidade de São Cristóvão, Sergipe, tendo participado em vários grupos musicais, com destaques nas bandas sergipanas The Baggios e Urublues. Aficcionado pelo instrumento, Mateus passou a frequentar e estudar na Lutheria do renomado Luthier Passos, na cidade de São Cristóvão, mantendo contato com o universo da fabricação de instrumentos musicais.
Diante de diversas perspectivas em seus estudos de Lutheria e em contato com materiais nobres utilizados na restauração e fabricação de instrumentos musicais, passou a dar especial atenção ao estudo da fabricação e customização de gaitas com corpo de Madeira. Após um período de experiência, onde se adaptou à técnica e ao manejo da instrumentação artesanal utilizada na Lutheria, acabou desenvolvendo habilidades na customização das gaitas diatônicas, construindo corpos de madeiras nobres, o que fora bastante aceito no mercado, a ponto de ser felicitado com o interesse do mestre, músico gaitista, Jefferson Gonçalves, que gostou do seu trabalho, originando assim a linha custom com a assinatura do renomado blueseiro.
ASPECTOS HISTÓRICOS DA GAITA.
Sua origem é incerta, tendo-se como mais provável local de surgimento a China, há cerca de 5.000 anos atrás. Consistia em 5 tubos de bambus cada qual com uma palheta, que, acionada pelo sopro, emitia tons característicos da música chinesa.
Ao necessitar de um diapasão para afinação de pianos e órgãos, o Alemão Christian Friedrich Ludwig criou o protótipo da gaita nos moldes parecidos com os atuais, facilitando seu trabalho por se tratar de um instrumento pequeno, preciso e de fácil manejo e transporte. Pode-se dizer assim que fora criada a gaita cromática. A partir de então o instrumento foi se aperfeiçoando e passou a ser fabricado em pequenas escalas, chegando ao mercado internacional (EUA), através do engenho do relojoeiro Matthias Hohner que produziu as primeiras séries de gaitas, cujo nome fora atribuído ao instrumento, vindo, a posteriori, ser fabricada também a gaita diatônica.
A gaita diatônica, também chamada de gaita de blues, tem 10 furos e uma extensão de três oitavas. As palhetas são dispostas nos furos de maneira a permitir a execução individual das notas da escala diatônica maior. Elas são características do estilo blues, muito embora foram incorporadas ao Rock, Jazz e mesmo música erudita, não obstante se possa dizer que, diante sua vasta popularidade, também é aceita nos mais variados estilos musicais.
No Brasil, o alemão Alfred Hering fundou uma fábrica de gaitas levando seu nome, a qual prosperou a ponto de exportar seus produtos para o mundo; com a morte de seu proprietário e fundador a fábrica das Gaitas Hering fora vendida para a Hohner, vindo em meados de 1979 ser novamente nacionalizada por um grupo de investidores brasileiros.
USO DA MADEIRA - O BLUES AGRADECE
São diversos os materiais utilizados na fabricação dos pentes das gaitas, sendo a madeira um deles, que, não obstante levem algumas desvantagens (dilatação conforme o clima, desgaste orgânico etc), possuem, no entanto, timbre especial característico e diferenciado daqueles fabricados com plástico e metal. Dentre as madeiras mais usadas podemos dizer que o mogno, a maçaranduba e o ipê se destacam quanto as propriedades físicas e mecânicas, conforme diversos estudos realizados.
As gaitas com corpo de madeira possuem timbre mais encorpado e aveludado, permitindo maior pressão, timbre este muito característico da melancolia expressa nos blues, o que tem se tornado um grande atrativo para os músicos do estilo, os quais buscam sempre incorporar em sua sonoridade os lendários gaitistas do começo do século XX, ao passo em que as gaitas com palhetas de plástico possuem um som mais brilhante e metalizado, com resposta mais rápida ao ataque. Logicamente tais diferenciações têm suas aplicações específicas em cada estilo musical, porém a diferenciação no timbre é fundamental para que você possa estabelecer uma sonoridade própria e mais fiel às suas origens e influências musicais.
JEFFERSON GONÇALVES - Customização por Mateus Santana
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